O Processo De Um Lettering

Quando eu comecei minha primeira série, Thanking Around, o processo criativo por trás dela era basicamente o mesmo porque eu queria capturar as coisas que eu mais gostava nas cidades que havia visitado. Mas uma vez que comecei o Lettering to Anxiety, eu mudei isso um pouco, para me adaptar à identidade da série com boas vibrações usando flores e enfeites bonitos.

Antes de falar sobre o meu processo, gostaria de informar que muito do que faço quando se trata disso vem da Jessica Hische. Eu aprendi MUITO com ela, seu livro, suas aulas de Skillshare e um bate-papo de meia hora que tive com ela alguns anos atrás via Skype. Então, se você notar algumas semelhanças entre o meu processo e o dela, não é apenas uma coincidência. Eu tenho muito a agradecê-la.

O seguem os passos:

1. BRAINSTORM E REFERÊNCIAS

Ao explorar um novo tema, é importante entender qual a essência da peça. É sobre futebol? É dos anos 80? Seja o que for, gosto de escrever todas as palavras que vêm à mente quando penso sobre essa frase ou tema. Coloque tudo no papel e não se preocupe se parecer uma merda. Depois, gosto de estudar um pouco mais sobre as referências relacionadas, pensando no que seria interessante adicionar.

2. THUMBNAIL

Pense em blocos, não em palavras. Não é hora de pensar em qual fonte você vai usar. No Skillshare, o Jon Contino tem uma aula que me ajudou muito quando se trata de miniaturas.

Normalmente, esse passo pode ser confuso, porque, quando você tem o formato que precisa usar, é muito mais fácil escolher a primeira composição e se ater a ela. Mas não faça isso. Pense sobre qual palavra é a mais importante, explore a hierarquia de palavras diferentes se possível, e se você vai misturar letras com ilustração. Este é o momento de pensar onde você deve colocá-las, mas não use nenhum detalhe ainda - lembre-se que agora é tudo sobre o todo, não os detalhes.

Uma última coisa: tente trazer o foco para o que é mais importante - boa composição geralmente acontece quando você não precisa exatamente de enfeites, você não os coloca lá para preencher uma lacuna que você não sabia como resolver no início. Ornamentos são um extra, o foco principal deve estar nas letras.

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3. ESBOÇO

Uma das minhas partes favoritas! Este é o momento em que você pode criar corretamente, pensar em detalhes, ornamentos, ligaduras e tudo o que seu esboço tem o direito de ter. Não esqueça a etapa 1, mantenha o tema e adicione itens relacionados a ela. Você pode sonhar, mas sonhe com os pés no chão. E não use uma fonte de letras de cobre clássica em um lugar onde isso não faz sentido.

Este passo leva muito tempo para mim, porque eu refaço muitas coisas, exploro novos estilos, novos ornamentos, etc. Esta é a hora de explorar o máximo que você puder, mesmo que sejam necessárias 10 páginas do seu caderno de rascunhos. E ao finalizar o esboço, não esqueça de finalizá-lo o máximo possível - ou seja, tente não fazer grandes ajustes na fase do vetor, eu já fiz muito isso e simplesmente não funciona, você pode demorar o dobro do tempo do que se tivesse corrigido no esboço.

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4. VETOR

Esse é o estágio em que costumo ir a um café, pedir um único cappuccino, tocar uma playlist calma no Spotify e passar horas seguidas lá. Algumas pessoas que conheço dizem que a caligrafia é terapia, como pintar aquarela ou ir à praia. A minha terapia é essa: trabalho de vetor. Sim, eu tenho uma vida, mas o vetor tem um lugar especial no meu coração. Ok, agora vamos falar sobre as coisas importantes, ao invés de sobre o quanto eu quero casar com meus pontos do vetor (meu auto-corretor achou que eu queria casar com pontos de ATOR, ah se ele soubesse).

Nesse estágio eu geralmente começo com três camadas no Adobe Illustrator: Photo, Guides e Art. Eu deixo todas separadas pra manter tudo organizado e com diferentes níveis de opacidade.

Eu recomendo começar seu vetor com tudo em preto, então você pode prestar mais atenção a coisas técnicas e cores não influenciarão sua própria crítica. Meu estudo vetorial começou com este artigo que recebi em 2014 de um amigo e evoluiu com as aulas de Jessica Hische e Martina Flor no Skillshare. Meu conselho aqui para você é: quanto menor a quantidade de pontos, melhor.

Dependendo da arte, eu normalmente começo apenas com pontos de ancoragem horizontais e vou adicionando os verticais apenas quando necessário. O trabalho não será bonito no começo, e está tudo bem. Seus esboços e miniaturas também não estavam mais bonitos, então por que esse estágio seria diferente? 😉

Depois de muita música, olhos à beira do sangramento por cansaço e muitos ajustes, Ta-da! Você tem isto:

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Ok, mas onde está a arte final?

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5. COR

Agora é hora de dar uma vida ao seu trabalho! Quando eu comecei costumava tirar paletas de cores do Pinterest o tempo todo. Agora eu raramente uso ele para cores, porque tenho um aplicativo (iOS e Android) que me ajuda com contrastes, o aplicativo da Pantone. Quando você estiver começando com o lettering recomendo fazer o maior número possível de testes - com diferentes fundos e contrastes. Assim, você vai aprender como cada cor se comporta uma com a outra.

E com a paleta de cores escolhida, eu sempre faço um toque final no Photoshop, adicionando uma textura ou algumas sombras discretas aqui e ali!

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Criar é supostamente divertido, e é experimentando coisas novas que se aprende. E é assim que você pode se divertir ainda mais. Então vá em frente! Faça do mundo e da internet um lugar melhor com o seu trabalho, você só pode crescer com isso. :)

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro

Como Conciliar Nomadismo + Trabalho + Dia-a-Dia

Eu vivo como nômade digital há cerca de um ano e meio, pra lá e pra cá com um monte de coisas relacionadas a passagens de avião, trabalhar de cafés ou mesmo viver e viajar com um parceiro quando os dois trabalham de casa, então acredito que seria melhor começar este artigo dizendo: não há como encontrar o equilíbrio.

Brincadeira! Às vezes existe, mas nem sempre.

Vamos começar dizendo que se você não tem disciplina para trabalhar sozinho na cidade em que você está atualmente, não há lugar no mundo que conserte isso para você. Não viaje para escapar das coisas pelas quais você está passando, porque essas coisas estarão na sua mente, e uma bela viagem com seu laptop para Londres será apenas uma viagem de merda (e super cara) para Londres com seu laptop porque sua cabeça precisa de ajustes no momento.

Depois que eu criei uma rotina com algumas tarefas não negociáveis como meditação, tempo de leitura no meu Kindle e começar o dia apenas assistindo a algum vídeo feliz ou pelo menos não negativo enquanto tomo uma xícara de chá, tudo ficou bem mais fácil gerir. Trabalhando em casa é muito importante entender em qual período do dia você é mais produtivo, concentrando sua energia máxima em coisas que exigem muito do seu cérebro - no meu caso, esboçar ou escrever (como este artigo sendo escrito as 11 horas da manhã por exemplo), e trabalho vectorial e gerenciamento de projetos na parte da tarde. MAS como minha rotina também envolve viagens, quando eu realmente preciso me concentrar durante a tarde em algo que está sendo adiado muito, eu costumo ir a uma lanchonete e minha produtividade aumenta assim:

Não exatamente 18 xícaras de cappuccino como Barney, porque com apenas uma todo o meu corpo passa uma tarde inteira tremendo.

É mais difícil definir uma rotina quando você já está viajando, você precisa entender como gosta de trabalhar mais e ser flexível para tirar um dia de folga no meio da semana para visitar algum lugar porque o tempo lá fora está ensolarado, por exemplo. Ser um nômade é principalmente trabalhar quando todos estão se divertindo e se divertir quando todo mundo está trabalhando. Não é sobre ir à praia com seu laptop porque, veja bem, ele vai ficar lotado de areia. É sobre entender que talvez uma parte da cidade que você queira ver esteja cheia de turistas no fim de semana então você pode tirar uma folga no meio da semana, ou para visitar aquele museu caro que tem entrada gratuita numa terça-feira e uma fila enorme durante os fins de semana.

Ok, mas e quanto ao seu relacionamento?

O principal é: vocês dois ficarão sozinhos constantemente, então, antes de morarem juntos e viajarem juntos, é melhor dar um passo de cada vez. Morem juntos primeiro, pra que você possa ver - sem gastar uma quantia enorme de dinheiro pra começar a viajar - se vocês vão se agarrar pelo pescoço ou não. No meu caso, eu me mudei com meu parceiro depois de 4 anos de relacionamento (com ambos trabalhando em casa), e não trabalhávamos na mesma sala, então nós dois tínhamos nosso tempo sozinhos. Foi difícil porque eu nunca tinha morado longe da casa dos meus pais antes, mas deu certo.

Quando começamos a viajar (janeiro de 2017), tínhamos essa restrição de que não podíamos trabalhar na mesma mesa - o que foi difícil, porque a maioria dos Airbnbs tem apenas uma mesa e precisávamos de dois. Mas foi escolhendo nossa casa em Praga (pro mês de outubro), que notamos que as casas com duas mesas eram muito caras pro nosso orçamento, então assumimos o desafio de trabalhar no mesmo lugar, de frente um pro outro, e funcionou muito bem. Tanto que no mês seguinte (Viena, dezembro de 2017) escolhemos uma casa com duas mesas, mas decidimos dividir a maior. É tudo sobre conversar e fazer o melhor para AMBOS, com flexibilidade.

Agora, estar juntos 24/7 não é fácil. Eu vi casais que, depois de passarem tanto tempo juntos, sentiram que perderam a individualidade, e não sabiam onde a personalidade de um começava e a do outro acabava, terminando depois de anos de relacionamento. Também vi um casal que passa um mês por ano em cidades separadas para ficarem sozinhos por um tempo, e está funcionando muito bem. No meu caso, nós fazemos um monte de coisas juntos, mas também temos nosso tempo privado. Fazer terapia ajuda MUITO a entender o que te faz você, e como sua personalidade pode se somar a do outro, com o seu jeito de ser. E quando se trata de trabalhar, eu deixo meu parceiro na bolha quando ele precisa, como ele também me respeita quando eu preciso.

Viajar enquanto trabalha não é nada fácil. Requer muito planejamento, gerenciamento de dinheiro e não é emocionante o tempo todo. É doloroso estar fora do seu país por 1 ano e quando você volta, percebe que seu pai ganhou alguns cabelos brancos adicionais, suas vovós estão bem mais velhas, seu primo terá um bebê e você provavelmente não vai estar lá quando ele ou ela chegar. Mas é uma escolha que você faz, e pelo menos para mim, não vai durar para sempre, então eu compenso convidando todos os meus parentes e amigos próximos a me visitar na cidade onde estou no momento e também uso a tecnologia como uma vantagem, com mensagens e chamadas de video.

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro

Superando a Ansiedade Como Um Criativo

A ansiedade chegou na minha vida muito antes de eu decidir me tornar designer e artista de lettering, quando eu costumava ir a festas com alguns amigos quando na adolescência e, como as expectativas de todos ao meu redor eram incrivelmente altas e eu não tinha ideia de como bloquear isto para não causar uma influência negativa em mim mesmo, minhas expectativas começaram a crescer bastante também. Isso me fez vomitar constantemente, o que fez meus amigos acharem que eu era alérgica a festas. O que eles não sabiam é que eu era alérgica a eles. BRINCADEIRA.

Comecei a identificar o que eu tinha como ansiedade depois de um episódio. Um dia eu senti minha mão doer depois de desenhar por muitas horas e de repente comecei a imaginar milhares de coisas terríveis que poderiam estar acontecendo comigo, o que me fez sentir que eu poderia estar tendo um ataque cardíaco. No final, eu estava tendo um ataque de pânico, ou pelo menos é o que a enfermeira do hospital me disse durante um exame de coração. Mais tarde, comecei a procurar por qualquer coisa que pudesse me fazer sentir melhor, lendo livros, assistindo a vídeos e participando de um seminário como havia prometido ao meu tio antes de falecer. Esse curso me ensinou sobre meditação e muitas coisas além. Eu aprendi que eu precisava controlar minha própria mente e pensamentos, caso contrário eles me controlariam.

Não tenho a cura para a ansiedade, porque ela pode ser um monte de coisas diferentes para cada uma de nós, mas posso te dizer uma coisa: procure um terapeuta. Ansiedade é MUITO sobre autocontrole, sobre imaginar muitas coisas ruins acontecendo no futuro porque você não vale nada de bom na vida, ou sobre expectativas muito altas que visam algo que você não pode controlar.

Eu criei o Lettering to Anxiety com frases que estavam surgindo durante minhas sessões de terapia quando notei que elas me faziam sentir melhor no momento em que eu precisava. E eu sugiro que você siga estas frases, entenda o significado delas e lembre-se dessas frases quando estiver se sentindo perdido. Elas certamente me tornam melhor sempre que eu preciso.

Superar a ansiedade é viver um passo de cada vez, percebendo qualquer comportamento sutil de agitação, mantendo suas expectativas o mais baixas possível, e lembrando a si mesmo todos os dias que você merece as coisas boas que recebe. Coisas ruins acontecem para todos nós, mas coisas boas acontecem também, e às vezes continuamos esperando pelas coisas ruins que virão, e esquecemos como nossa vida já é maravilhosa, apesar de todo o mal que aconteceu. Às vezes estamos tão ansiosos com algo que nos esquecemos de sermos gratos. E não estou dizendo pra usar #gratidão no Instagram. Por favor, não faça isso.

Ter ansiedade é, por vezes, ter a necessidade de estar no controle de tudo o tempo todo. Não podemos controlar o tempo, saber exatamente quando atingiremos nossas metas ou o que outras pessoas pensam ou dizem. Nós não podemos controlar quem vai viver ou morrer, mas podemos estudar sobre a morte em outras culturas e religiões ou até mesmo nos tornarmos médicos. Precisamos entender que coisas ruins acontecem com todos nós e a única coisa que podemos fazer é apreciar e aproveitar o tempo com aqueles que amamos, então, quando eles se forem, não vamos nos arrepender daquele abraço que não demos, ou o sincero "eu te amo” que não dissemos.

Superar a ansiedade é aprender 24 horas por dia sobre seus próprios comportamentos, o que eles realmente querem dizer e pensar sobre o que você pode mudar para que você não se sinta mais assim. É para enfrentar seus piores medos e pensar para si mesmo que você é incrível por superar isso depois de anos lutando. É vomitar pra fora todos os seus órgãos durante uma crise, depois limpar a boca e continuar - porque as crises de ansiedade sempre vão voltar, mas está tudo na sua cabeça, e você não pode deixar que isso te atrapalhe mais.

Não evite sua ansiedade ou ela crescerá, fazendo com que você lute mais para superá-la mais tarde. Se uma crise está chegando, entenda racionalmente o porque (talvez com a ajuda de um terapeuta, se necessário), deixe-a vir e depois de descansar um pouco, continue a seguir seu caminho. As crises se tornarão menores com o tempo. Trate sua crise como qualquer outra doença: deixe acontecer, trate com medicação se necessário, descanse e cuide de seu corpo e mente. Com paciência e respeito.

E para qualquer um que conheça alguém que lide com a ansiedade, você pode ajudar uma pessoa ansiosa ouvindo-a, respeitando seu tempo e estando presente para conversar pacientemente sobre o que pode ser feito. Ah e sim, e dê amor. Muito amor, assim elas podem saber e sentir que não são tão horríveis quanto pensam. 🙂

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro

Por que Lettering?

Depois de seis anos estudando e quatro anos trabalhando na área acredito que agora é uma boa hora pra falar sobre isso. Isso não vai ser um livro, prometo, porque para começar eu normalmente não falo muito, sou bastante introvertida. Mas eu te prometo que cada palavra aqui vem do coração.

Por que escolhi as letras? Por que não estudar anatomia e depois trabalhar em concept art, ou mesmo me tornar uma dessas artistas de performance ou contemporâneas que a maioria das pessoas não entende? Eu estava estudando Artes Visuais quando tudo começou e escolhi esse curso porque queria me tornar designer gráfico. Não é exatamente o começo certo, mas isso é apenas uma daquelas coisas que levamos alguns anos para finalmente perceber que são as certas pra gente.

Durante a maior parte do primeiro ano, tudo que consegui fazer foi desenhar cabeças. Elas eram realistas e desenhados com um lápis 6B, o mesmo que eu usava para desenhar algumas letras de música que estavam presas na minha cabeça - nada meu, apenas um pouco de Queen, Tears for Fears (obrigada, pai) e The Kooks - eu estou bem longe de escrever (ou tocar) a minha própria música, acredite. Mas entre um crânio muito mal desenhado em tinta preta e um pedaço de Bohemian Rhapsody no meu caderno, eu inventei algo que minha professora de desenho realmente gostava. Não o crânio, é claro, mas a letra realmente mau estilizada que eu havia desenhado.

“Esqueça o resto” ela disse, “invista seu tempo nisso”, apontando para a letra.

“Mas espera, o que? Você está dizendo que eu deveria investir meu tempo escrevendo?” uma pergunta justa, porque isso poderia me fazer mudar do curso de Artes Visuais para Literatura o que era, bom, um pouco confuso.

“Claro que não, estou falando sobre essa coisa em que você desenha letras. Você já ouviu falar de tipografia?”

Comecei a pesquisar sobre letterpress, depois tipografia, caligrafia e no final encontrei essa coisa estranha onde as pessoas desenham letras como ilustração, não apenas para uso no computador. E ainda mais louco, as pessoas consideram isso uma forma de arte! Com isso em mente, dou a maior parte do meu agradecimento a Paula Almozara. Alguns anos depois, ela veio até mim com um projeto de pesquisa da Letterpress e me disse para me inscrever. Ela estava procurando por um estudante para abraçá-lo e fazer o trabalho com ela. É claro que aceitei sem pensar duas vezes e, embora o projeto não tenha sido aprovado pelo governo mais tarde, aprendi muitas coisas incríveis durante esse processo, abraçando ainda mais o mundo das letras que ela me apresentou.

Depois disso, tornou-se mais difícil para alguns outros professores aceitarem que desenhar letras era uma forma de arte, porque nunca tinham visto alguém fazer esse tipo de trabalho, pelo menos não na minha universidade. Mas eu não me importava, era tudo que eu tinha e sabia fazer, e era estranho desenhar uma frase para um projeto de aula enquanto todo mundo desenhava uma cabeça, um animal ou mesmo um corpo. Mas o caminho deles, não era o meu, e eu sabia disso.

Durante o último ano do meu curso de graduação, eu comecei a criar algumas capas de livros com frases sobre a felicidade que eu tinha ouvido (obrigada Grey's Anatomy), e estava começando a fazer trabalhos vetoriais porque era muito caro comprar canetas e marcadores toda semana, e eu já tinha um tablet Wacom e um computador bacana (o muito antigo MacBook Pro 2011, comprado com meu salário de quanto trabalhava na IBM - uma das poucas coisas boas que a empresa permitiu ter até 2012). Eu não podia continuar desperdiçando dinheiro, e o Adobe Illustrator era muito barato para os estudantes (ainda é). Comecei a fazer trabalho de vetor e naquele último ano, conheci outra mulher incrível que também é professora, chamada Luisa Paraguai.

Luisa já conhecia algumas pessoas que eu admirava no mundo da tipografia paulistana, então quando ela se apresentou e eu pude ver todo o seu conhecimento em tipografia e design gráfico, meus olhos começaram a brilhar de felicidade, porque FINALMENTE alguém na minha faculdade me ensinava alguma coisa eu realmente queria passar horas fazendo. Luisa explicou a estrutura básica da tipografia e mostrou a todos algumas referências surpreendentes que eu já havia pesquisado naquela época. Foi tudo que eu sempre quis e a única desvantagem é que eu só tive essa aula por seis meses, quando eu realmente deveria ter tido quatro anos sobre esse assunto durante toda a minha carreira universitária. Quando meu projeto final chegou e eu me senti perdida quando se tratava de paletas de cores e conceitos, Luisa passou meia hora me ensinando sobre a teoria das cores, o que me ajudou tanto que a uso até hoje.

Finalizei meu projeto, me formei e, três anos depois, o Reitor do meu maior departamento me pediu para dar uma oficina de letras para os calouros. O trabalho duro vale sempre a pena e o talento NÃO EXISTE. 🙂

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro

Disciplina: só depende do seu objetivo. E de você.

Com a preparação de projetos de TCC na conclusão da minha faculdade percebi que muitos amigos (e até professores) ao meu redor me perguntavam como eu conseguia ser tão organizada nos projetos. No início não sabia o que responder, mas com o tempo a resposta ficou clara em minha mente: é preciso ter um objetivo forte o suficiente para ter disciplina.

No segundo ano da faculdade a única coisa que eu tentava fazer era manter uma disciplina forte de trabalho e estudo para não afundar em meio à um ano de relacionamento à distância. Era o início de relacionamento que me trazia (e ainda trás) tanta felicidade e motivação que eu estava disposta a fazer o possível para sobreviver à distância de dois continentes durante um ano inteiro.

Então em meio à muitas pesquisas sobre procrastinação e estudos, como o curso Produtividade Ninja, comecei minha busca por uma rotina disciplinada. Vou compartilhar o que levei comigo dessa busca.

Tenha um objetivo.

O que você quer? Não precisa responder essa pergunta com algo sobre sua vida inteira. Seu objetivo hoje é o que? Ser promovido? Ter uma carreira freelancer de sucesso? Planejar uma vida de nomadismo digital? Seja lá qual seja, você precisa ter um objetivo, independente do tamanho dele, precisa ser algo que você anseia todos os dias.

Quebre seu objetivo em pequenos passos.

Se seu objetivo é ser um ilustrador de sucesso, o que você pode fazer hoje que ajude a alcançar este objetivo? Desenhar todos os dias é algo que com certeza te ajudará. Faça uma lista de pequenas coisas a fazer para alcançar o seu objetivo.

Escreva seus pequenos passos de maneira específica

Não adianta nada escrever na lista: procurar referências no Pinterest sobre anatomia. Coloque números, coloque datas, coloque horários. Sem prazo para a tarefa seu cérebro não vai assimilar aquilo facilmente.

Ser específico é escrever “fazer 10 desenhos de poses em pé baseados nos desenhos de artista X” e copiar isso 7 vezes na lista de pequenos passos, pois 7 será o número de dias que você julgará suficiente para ser efetivo naquela tarefa. Evite palavras como “procurar, buscar, pesquisar”, estas palavras farão seu cérebro pensar demais, e você quer evitar isso para que sua tarefa seja concluída rapidamente.

Use verbos ativos

Procure escrever sua lista de pequenos passos com verbos ativos, como: escrever, desenhar, fazer, ler, enviar. Verbos assim fazem com que não pense tanto naquela tarefa, e a deixam mais fácil de ser executada.

Conheça seus melhores horários de trabalho

Se você funciona melhor de manhã, se programe para acordar cedo todos os dias para conseguir fazer com que seu dia seja mais produtivo. Digo o mesmo para caso seu melhor foco seja à tarde ou de madrugada.

Organize uma agenda/lista de tarefas

Existem milhares de aplicativos de calendários e lista de tarefas, mas se você não quebrar seu objetivo em pequenos pedaços não existirá aplicativo no mundo que resolverá seus problemas.

Organize uma vez por semana (domingo à noite, por exemplo) seu calendário ou lista de tarefas com aquela lista que você fez quebrando seu objetivo em pequenas tarefas e coloque horário para absolutamente tudo.

Exemplo: 
9–9:30: responder e-mails
9:30–11: copiar o alfabeto gótico do artista X de minúsculas com pena de bico X
11–11:10: intervalo
11:10–12:30: copiar 2 cenários de Artista Y

Faça isso de uma maneira que você realmente seja capaz de respeitar e evite colocar coisas em excesso do que você poderia cumprir. Se quiser um exemplo, aqui vai a agenda semanal da artista e “letterer” Jessica Hische (em inglês): http://jessicahische.is/images/ultraschedule.jpg

Não consegue focar? Escreva sua preocupação.

Muitas pessoas, enquanto concluem uma tarefa, estão com a cabeça em outra tarefa ou preocupação. Isso atrapalha enormemente seu foco. Então pegue um papel ou abra um bloco de notas no computador e escreva aquela preocupação do momento.

Seja informal, afinal é uma anotação só sua. Exemplos: “o café acabou”, “será que fulano melhorou?”, “sacar dinheiro no banco”. Esvazie sua mente para que você esteja 100% naquela tarefa. Assim, quando você terminá-la, poderá olhar sua lista de preocupações e decidir um horário para resolvê-las com mais tranquilidade.

Se estiver impossível, se desconecte.

Desligue a Wifi, feche o Netflix, feche seu navegador, coloque seu celular no silencioso e o deixe em outro cômodo, se possível. Se precisar avisar outra pessoa que poderá te ligar sobre algo importante, avise que durante aquele horário, você estará ocupado. Evite ser interrompido durante seus momentos de maior foco.

Ser disciplinado não acontece da noite para o dia. Requer mudança de hábitos, mudança em sua própria mente e isso leva tempo. Estas dicas não são mágica, e é sim complicado de executar 100% todos os dias, mas você precisa sempre lembrar de seu objetivo e pensar que é de passo em passo que você chegará longe.

Ou como sua avó provavelmente já te disse: de grão em grão a galinha enche o papo.

Lista de Livros, Artistas e Cursos Online

Só mais uma lista de coisas que me inspiram, ajudaram e ainda ajudam quando necessário


Este artigo foi criado com a ajuda de Lygia Pires, minha mentora, a terceira da lista "Inspiração & Amigos das Letras", porém a primeira no meu coração amante de letras. Sim, sou puxa saco mesmo. Valorize as pessoas que te fazem crescer, faz bem para a alma.