Superando a Ansiedade Como Um Criativo

A ansiedade chegou na minha vida muito antes de eu decidir me tornar designer e artista de lettering, quando eu costumava ir a festas com alguns amigos quando na adolescência e, como as expectativas de todos ao meu redor eram incrivelmente altas e eu não tinha ideia de como bloquear isto para não causar uma influência negativa em mim mesmo, minhas expectativas começaram a crescer bastante também. Isso me fez vomitar constantemente, o que fez meus amigos acharem que eu era alérgica a festas. O que eles não sabiam é que eu era alérgica a eles. BRINCADEIRA.

Comecei a identificar o que eu tinha como ansiedade depois de um episódio. Um dia eu senti minha mão doer depois de desenhar por muitas horas e de repente comecei a imaginar milhares de coisas terríveis que poderiam estar acontecendo comigo, o que me fez sentir que eu poderia estar tendo um ataque cardíaco. No final, eu estava tendo um ataque de pânico, ou pelo menos é o que a enfermeira do hospital me disse durante um exame de coração. Mais tarde, comecei a procurar por qualquer coisa que pudesse me fazer sentir melhor, lendo livros, assistindo a vídeos e participando de um seminário como havia prometido ao meu tio antes de falecer. Esse curso me ensinou sobre meditação e muitas coisas além. Eu aprendi que eu precisava controlar minha própria mente e pensamentos, caso contrário eles me controlariam.

Não tenho a cura para a ansiedade, porque ela pode ser um monte de coisas diferentes para cada uma de nós, mas posso te dizer uma coisa: procure um terapeuta. Ansiedade é MUITO sobre autocontrole, sobre imaginar muitas coisas ruins acontecendo no futuro porque você não vale nada de bom na vida, ou sobre expectativas muito altas que visam algo que você não pode controlar.

Eu criei o Lettering to Anxiety com frases que estavam surgindo durante minhas sessões de terapia quando notei que elas me faziam sentir melhor no momento em que eu precisava. E eu sugiro que você siga estas frases, entenda o significado delas e lembre-se dessas frases quando estiver se sentindo perdido. Elas certamente me tornam melhor sempre que eu preciso.

Superar a ansiedade é viver um passo de cada vez, percebendo qualquer comportamento sutil de agitação, mantendo suas expectativas o mais baixas possível, e lembrando a si mesmo todos os dias que você merece as coisas boas que recebe. Coisas ruins acontecem para todos nós, mas coisas boas acontecem também, e às vezes continuamos esperando pelas coisas ruins que virão, e esquecemos como nossa vida já é maravilhosa, apesar de todo o mal que aconteceu. Às vezes estamos tão ansiosos com algo que nos esquecemos de sermos gratos. E não estou dizendo pra usar #gratidão no Instagram. Por favor, não faça isso.

Ter ansiedade é, por vezes, ter a necessidade de estar no controle de tudo o tempo todo. Não podemos controlar o tempo, saber exatamente quando atingiremos nossas metas ou o que outras pessoas pensam ou dizem. Nós não podemos controlar quem vai viver ou morrer, mas podemos estudar sobre a morte em outras culturas e religiões ou até mesmo nos tornarmos médicos. Precisamos entender que coisas ruins acontecem com todos nós e a única coisa que podemos fazer é apreciar e aproveitar o tempo com aqueles que amamos, então, quando eles se forem, não vamos nos arrepender daquele abraço que não demos, ou o sincero "eu te amo” que não dissemos.

Superar a ansiedade é aprender 24 horas por dia sobre seus próprios comportamentos, o que eles realmente querem dizer e pensar sobre o que você pode mudar para que você não se sinta mais assim. É para enfrentar seus piores medos e pensar para si mesmo que você é incrível por superar isso depois de anos lutando. É vomitar pra fora todos os seus órgãos durante uma crise, depois limpar a boca e continuar - porque as crises de ansiedade sempre vão voltar, mas está tudo na sua cabeça, e você não pode deixar que isso te atrapalhe mais.

Não evite sua ansiedade ou ela crescerá, fazendo com que você lute mais para superá-la mais tarde. Se uma crise está chegando, entenda racionalmente o porque (talvez com a ajuda de um terapeuta, se necessário), deixe-a vir e depois de descansar um pouco, continue a seguir seu caminho. As crises se tornarão menores com o tempo. Trate sua crise como qualquer outra doença: deixe acontecer, trate com medicação se necessário, descanse e cuide de seu corpo e mente. Com paciência e respeito.

E para qualquer um que conheça alguém que lide com a ansiedade, você pode ajudar uma pessoa ansiosa ouvindo-a, respeitando seu tempo e estando presente para conversar pacientemente sobre o que pode ser feito. Ah e sim, e dê amor. Muito amor, assim elas podem saber e sentir que não são tão horríveis quanto pensam. 🙂

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro

Por que Lettering?

Depois de seis anos estudando e quatro anos trabalhando na área acredito que agora é uma boa hora pra falar sobre isso. Isso não vai ser um livro, prometo, porque para começar eu normalmente não falo muito, sou bastante introvertida. Mas eu te prometo que cada palavra aqui vem do coração.

Por que escolhi as letras? Por que não estudar anatomia e depois trabalhar em concept art, ou mesmo me tornar uma dessas artistas de performance ou contemporâneas que a maioria das pessoas não entende? Eu estava estudando Artes Visuais quando tudo começou e escolhi esse curso porque queria me tornar designer gráfico. Não é exatamente o começo certo, mas isso é apenas uma daquelas coisas que levamos alguns anos para finalmente perceber que são as certas pra gente.

Durante a maior parte do primeiro ano, tudo que consegui fazer foi desenhar cabeças. Elas eram realistas e desenhados com um lápis 6B, o mesmo que eu usava para desenhar algumas letras de música que estavam presas na minha cabeça - nada meu, apenas um pouco de Queen, Tears for Fears (obrigada, pai) e The Kooks - eu estou bem longe de escrever (ou tocar) a minha própria música, acredite. Mas entre um crânio muito mal desenhado em tinta preta e um pedaço de Bohemian Rhapsody no meu caderno, eu inventei algo que minha professora de desenho realmente gostava. Não o crânio, é claro, mas a letra realmente mau estilizada que eu havia desenhado.

“Esqueça o resto” ela disse, “invista seu tempo nisso”, apontando para a letra.

“Mas espera, o que? Você está dizendo que eu deveria investir meu tempo escrevendo?” uma pergunta justa, porque isso poderia me fazer mudar do curso de Artes Visuais para Literatura o que era, bom, um pouco confuso.

“Claro que não, estou falando sobre essa coisa em que você desenha letras. Você já ouviu falar de tipografia?”

Comecei a pesquisar sobre letterpress, depois tipografia, caligrafia e no final encontrei essa coisa estranha onde as pessoas desenham letras como ilustração, não apenas para uso no computador. E ainda mais louco, as pessoas consideram isso uma forma de arte! Com isso em mente, dou a maior parte do meu agradecimento a Paula Almozara. Alguns anos depois, ela veio até mim com um projeto de pesquisa da Letterpress e me disse para me inscrever. Ela estava procurando por um estudante para abraçá-lo e fazer o trabalho com ela. É claro que aceitei sem pensar duas vezes e, embora o projeto não tenha sido aprovado pelo governo mais tarde, aprendi muitas coisas incríveis durante esse processo, abraçando ainda mais o mundo das letras que ela me apresentou.

Depois disso, tornou-se mais difícil para alguns outros professores aceitarem que desenhar letras era uma forma de arte, porque nunca tinham visto alguém fazer esse tipo de trabalho, pelo menos não na minha universidade. Mas eu não me importava, era tudo que eu tinha e sabia fazer, e era estranho desenhar uma frase para um projeto de aula enquanto todo mundo desenhava uma cabeça, um animal ou mesmo um corpo. Mas o caminho deles, não era o meu, e eu sabia disso.

Durante o último ano do meu curso de graduação, eu comecei a criar algumas capas de livros com frases sobre a felicidade que eu tinha ouvido (obrigada Grey's Anatomy), e estava começando a fazer trabalhos vetoriais porque era muito caro comprar canetas e marcadores toda semana, e eu já tinha um tablet Wacom e um computador bacana (o muito antigo MacBook Pro 2011, comprado com meu salário de quanto trabalhava na IBM - uma das poucas coisas boas que a empresa permitiu ter até 2012). Eu não podia continuar desperdiçando dinheiro, e o Adobe Illustrator era muito barato para os estudantes (ainda é). Comecei a fazer trabalho de vetor e naquele último ano, conheci outra mulher incrível que também é professora, chamada Luisa Paraguai.

Luisa já conhecia algumas pessoas que eu admirava no mundo da tipografia paulistana, então quando ela se apresentou e eu pude ver todo o seu conhecimento em tipografia e design gráfico, meus olhos começaram a brilhar de felicidade, porque FINALMENTE alguém na minha faculdade me ensinava alguma coisa eu realmente queria passar horas fazendo. Luisa explicou a estrutura básica da tipografia e mostrou a todos algumas referências surpreendentes que eu já havia pesquisado naquela época. Foi tudo que eu sempre quis e a única desvantagem é que eu só tive essa aula por seis meses, quando eu realmente deveria ter tido quatro anos sobre esse assunto durante toda a minha carreira universitária. Quando meu projeto final chegou e eu me senti perdida quando se tratava de paletas de cores e conceitos, Luisa passou meia hora me ensinando sobre a teoria das cores, o que me ajudou tanto que a uso até hoje.

Finalizei meu projeto, me formei e, três anos depois, o Reitor do meu maior departamento me pediu para dar uma oficina de letras para os calouros. O trabalho duro vale sempre a pena e o talento NÃO EXISTE. 🙂

Tradução e Revisão: Mari Pinheiro